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Poesia

O Anel

Põe o teu anel no meu dedo.

Não só o anel mas a palavra e o coração,

e a vida, e o círculo dos anos,

o círculo dos dias,

o círculo das horas,

o pranto e a alegria.

Se o anel se for ficará o dedo que acusa

e no dedo, o vestígio.

O teu anel é pesado,

pois é o mundo que pões no meu dedo.

O amor fará leve o fardo.

Não só o amor,

mas o daquele que é o próprio amor,

e em cujo amor nos unimos.

Perece, perecerá talvez o nosso,

mas ficará o selo do seu,

o selo de Deus,

para que o nosso renasça,

ressuscite a cada queda.

O primeiro homem e a primeira mulher

hoje se encontram em nós.

E o primeiro lar,

pois cada família é uma aventura nova,

inédita, sobre a qual os anjos se debruçam,

solícitos e surpresos, enquanto o arco,

o sol da aliança nos cinge o dedo.

 

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