O Anel
Põe o teu anel no meu dedo.
Não só o anel mas a palavra e o coração,
e a vida, e o círculo dos anos,
o círculo dos dias,
o círculo das horas,
o pranto e a alegria.
Se o anel se for ficará o dedo que acusa
e no dedo, o vestígio.
O teu anel é pesado,
pois é o mundo que pões no meu dedo.
O amor fará leve o fardo.
Não só o amor,
mas o daquele que é o próprio amor,
e em cujo amor nos unimos.
Perece, perecerá talvez o nosso,
mas ficará o selo do seu,
o selo de Deus,
para que o nosso renasça,
ressuscite a cada queda.
O primeiro homem e a primeira mulher
hoje se encontram em nós.
E o primeiro lar,
pois cada família é uma aventura nova,
inédita, sobre a qual os anjos se debruçam,
solícitos e surpresos, enquanto o arco,
o sol da aliança nos cinge o dedo.